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4 months ago

world of industries 5/2017 (PT)

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Desvendando o potencial

Desvendando o potencial da América do Sul NOTÍCIAS E MERCADOS A região da América do Sul é um tipo diferente de mercado emergente. Ela oferece um potencial de crescimento, o qual é mais rápido do que a maioria das economias ocidentais, além de uma base de consumidores com rendimento per capita mais alto do que a maioria dos mercados emergentes da Ásia. América do Sul se estende desde o istmo do Panamá, à ponta A mais distante ao sul do Chile e da Argentina. Os maiores países na América do Sul são Brasil, Argentina, Venezuela, Colômbia e Chile. A partir de 2015, a região teve um PIB combinado de mais de 3,5 trilhões de dólares. Essas economias foram amplamente impulsionadas pela produção no setor de commodities como o do petróleo, prata, cobre, minério de ferro, zinco e chumbo. Todos os países na região são mercados em desenvolvimento ou emergentes. Para muitas empresas atualmente, a América do Sul forma uma parte intrínseca de suas estratégias de mercado emergente. Isto não é nada surpreendente, devido à região oferecer um potencial de atingir mais de 400 milhões de consumidores. Imagem econômica da América Latina Em 2015, a economia da América do Sul estava quase estagnada e, estima-se que tenha retraído em mais de 1% em 2016. A redução na economia da região em 2016 foi mais profunda do que o esperado, principalmente, devido aos efeitos combinados de baixos preços de commodities e fuga de capitais, conforme o super ciclo das commodities chegou ao fim. A América do Sul é um dos maiores produtores de commodities no mundo. Proporcionalmente à produção mundial total, ela produz 40% do cobre e 15% do minério de ferro e, não é surpreendente que o período de crescimento mais rápido da região tenha ocorrido durante o boom das commodities entre 2002 e 2008. Devido à brusca queda nos preços das commodities, especialmente após meados de 2014, muitos países viveram uma queda substancial nas receitas, e uma massiva fuga de capital. Como resultado, o crescimento econômico da região e a confiança dos investidores enfraqueceram. Isto também aumentou as flutuações nos mercados monetários, causando graves recessões na Argentina, Brasil, Colômbia e uma hiperinflação na Venezuela. Previsão para 2017 Após um retrocesso em 2016, o PIB da América do Sul está projetado para aumentar em 1% em 2017, e mais de 1,5% em 2018. Espera-se que a região retorne ao estável e sólido crescimento de 2018 em diante. 2017 começou com uma nota ligeiramente positiva, mas o cenário ainda não está cor de rosa, já que alguns riscos são vislumbrados no horizonte. Apesar do Brexit não ter um impacto direto, as negociações entre o Reino Unido e a União Europeia, têm o potencial de perturbar mercados financeiros globais e impactar as moedas na América Latina. Outro risco negativo à região é a restrição da política monetária nos EUA aumentando as taxas de juros no mercado americano, o que poderia aumentar as fugas de capital na América do Sul e América Central, disparando a flutuação da taxa de câmbio na região, levando a uma contração econômica. O impacto das políticas protecionistas de Trump cairá, mais provavelmente, no México, dado os elos de ciclo de comércio e negócios profundamente integrados entre os dois países. A América do Sul não parece estar no radar de Trump. Mas, as exportações do setor agrícola da região para os EUA, podem ser gravemente danificadas devido a essas políticas protecionistas da nova administração dos EUA. Autor: Sushen Doshi, Correspondente Índia, World of Industries 10 WORLD OF INDUSTRIES

Analisemos individualmente o atual cenário das principais economias da América do Sul. Argentina: crescimento no consumo privado A Argentina está mostrando alguns sinais de recuperação econômica. Um forte crescimento no setor automotivo e uma rápida evolução em algumas áreas dos setores de bens de consumo estão dando margem a uma atividade industrial aumentada. A economia reagirá este ano, porque a baixa inflação sustentará o consumo privado. Além disso, as reformas econômicas sendo implementadas irão reforçar o sentimento de negócios e impulsionará os investimentos. Os analistas preveem uma expansão da economia de 3,0% em 2017 e 2018. Brasil: aumento na produção industrial Próximo ao final de 2016, a produção industrial no Brasil registrou o mais rápido crescimento, ao longo de dois anos, sugerindo que a economia está se dirigindo para uma fase de recuperação. Com a chegada de 2017, sinais de melhoria continuaram a emergir, com o aumento dos negócios e a confiança do consumidor. Mas, o crescimento e a recuperação serão pequenos, porque as austeras medidas do governo dificultarão o consumo doméstico. Os analistas veem um crescimento de meio por cento do PIB, em 2017, em torno de 2%, em 2018, se o cenário político permanecer estável. Colômbia: preços mais altos do petróleo impulsionam o crescimento Em geral, 2016 foi um ano ruim para a Colômbia, principalmente devido a um colapso global nos preços do petróleo. No entanto, perto do final de 2016, uma recuperação nos preços do petróleo vislumbrou uma retomada nas exportações da Colômbia. O crescimento na produção industrial permanece estagnado, e a confiança do consumidor continuar a cair. Sustentado por preços mais altos do petróleo no mercado mundial em 2017, por uma política de flexibilização fiscal e com a inflação, agora sob controle, o PIB da Colômbia tem a probabilidade de crescer 2,4% em 2017 e, 3% em 2018. Uma visão geral do setor de logística da América do Sul Com o aumento da globalização, o papel da logística, como um parâmetro do desempenho econômico e da competitividade, continua aumentando. O impacto dos custos de logística na competitividade, produtividade, comércio, integração e na inflação é significativo. Os países da América do Sul estão, em sua maior parte, focando nas commodities e em estratégias de crescimento orientadas à exportação. Para que tais estratégias sejam bem-sucedidas, uma rede de logísticas eficiente é vital. Para liberar seu verdadeiro potencial, serão necessárias estratégias para a superação das complexidades da região. Gestores de cadeias de fornecimento devem primeiro, entender os desafios específicos da região e, em seguida, adotar estratégias flexíveis e pragmáticas para as cadeias de fornecimento. Desafios Uma rápida olhada no mapa deixa claro que a enorme amplitude geográfica representa um desafio. A distância entre São Paulo (Brasil) e Santiago (Chile), por exemplo, é de 2.500 km, aproximadamente a mesma distância entre Londres e Moscou. A distância entre Buenos Aires e Bogotá é de 6.800 km, a mesma distância de Londres a Nova Deli. As barreiras naturais da região, como as montanhas dos Andes e o rio Amazonas, agregam mais custos e complexidade ao cenário do transporte. Além disso, a rede ferroviária é ruim e os portos estão superlotados. Os países na região dependem fortemente das rodovias. O transporte rodoviário é lento e mais caro do que o ferroviário ou marítimo. Todos esses fatores contribuem para custos mais altos de logística. A expedição marítima de um contêiner oceânico de 20 pés (6,10 m) do México para o Brasil custa mais ou menos o mesmo do que a expedição de um contêiner do Brasil para a China. E ainda, o transporte local é muito caro e custa mais transportar um contêiner entre as principais cidades na Argentina, do que custaria para expedir o mesmo contêiner da Europa para Buenos Aires. Apesar do continente, como um todo, ter as características de uma economia emergente, ele não é uma região de baixo custo. Na América do Sul, os custos de logística variam entre 15 a 35% do valor do produto e, até mesmo mais altos para pequenas e médiasempresas (PMEs), cerca de 40 %. Os custos laborais, por exemplo, são significativamente mais altos do que os da China, no caso do Brasil, até 3,5 vezes mais altos. Isto é verdade, mas não apenas para trabalhadores de armazéns, centros de distribuição e de fábricas, mas também para gerentes e profissionais. O custo para empregar um gerente da cadeia de fornecimento no Brasil, por exemplo, é atualmente similar ao dos Estados Unidos. Estratégias para o sucesso Apesar dos desafios acima, algumas empresas locais e estrangeiras construíram negócios extremamente bem-sucedidos na América do Sul. Uma parte fundamental desse sucesso é adaptar uma abordagem específica da região, ao projeto e execução das cadeias de fornecimento, em conjunto com investimentos direcionados na região. Revisemos alguns dos elementos essenciais dessas estratégias. Aumento da localização: As cadeias de fornecimento com pegadas locais maiores, são projetadas de acordo, para atender as exigências dos impostos e regimes alfandegários locais, ou para superar as cotas de importação. Os benefícios desse tipo de abordagem eficiente dos impostos podem ser consideravelmente grandes, frequentemente ultrapassando os custos mais elevados da fabricação local. Isto também permite que as empresas sejam mais rápidas e ágeis em um mercado volátil. Divisão em setores regionais: Uma cadeia de fornecimento eficiente deve levar em consideração as longas distâncias geográficas terrestres, barreiras de idiomas e de rendimento na América do Sul. Como resultado dessas complexidades, a maioria das grandes empresas operando na região opta pela segmentação de suas cadeias de fornecimento em clusters regionais. Dentro de um cluster, as empresas precisam, então, assegurar que a compra, fabricação, venda, armazenagem e ativos de distribuição estejam localizados de forma a equilibrar os custos, os serviços e a taxação local. Estratégias para combater a alta volatilidade do mercado: As empresas precisam criar suas estratégias para adequação às realidades do mercado. Por exemplo, uma empresa de produtos para o consumidor, fabricando na Argentina, descobriu que seu fornecimento para o Brasil era afetado por variações no tempo necessário para a liberação alfandegária dos produtos na fronteira, o que variava, de um dia a diversas semanas, Para reduzir os efeitos dos atrasos, a empresa monitorou os tempos de trânsito da fronteira e, ajustou dinamicamente seus estoques de segurança no Brasil, aumentando-os quando o congestionamento na fronteira aumentava e reduzindo-os para diminuição dos custos, conforme os produtos começaram a se movimentar mais livremente. Este tipo de agilidade estratégica pode ter um impacto rápido e significativo nos custos e na eficiência da cadeia de fornecimento. Foto: Fotolia WORLD OF INDUSTRIES 11